Tuesday, October 25, 2005

Petistas, reajam!


Meus amigos petistas, vamos falar sério. Em vez de vocês ficarem deprimidos, quietos, aguentando gozação dos amigos e dos inimigos, chegou a hora de “tirar a bunda da cadeira” e fazer alguma coisa pelo seu partido e, conseqüentemente, pela democracia brasileira.

Pouca gente está se dando conta. Mas a verdade é que se o PT tinha sonhos mexicanos de se tornar um PRI (partido único eternizado no poder), essa possibilidade, agora, está sobrando para o PSDB.

É isso mesmo. Se o PT não for salvo a tempo, só vai restar o PSDB como partido organizado e ainda merecedor de certa credibilidade da maioria silenciosa, principalmente das classes média e alta formadoras de opinão de amplos setores da classe baixa.

Basta olhar as pesquisas para ver quem está começando a crescer. Só dá tucano. Para a sucessão de Lula, ou é Serra, ou é Alckmin ou o próprio Fernando Henrique. Sem o PT, o PSDB vai ganhar uma eleição atrás da outra e ficar anos e anos no poder.

Meus amigos petistas. Como eu já confessei aqui neste blog, só votei no Lula nas últimas eleições porque considero importante uma democracia ter dois partidos fortes que se alternam no poder, como democratas e republicanos, nos Estados Unidos, trabalhistas e conservadores, na Inglaterra, e assim por diante. No nosso caso, seriam o PSDB e o PT que, esperava eu, iria aprender a ser poder e oposição, ao mesmo tempo, transformando-se numa alternativa séria ao PSDB. E vice-versa.

Isso, porém, não vai se concretizar se vocês, meus caros petistas de bem, não salvarem seu partido dos canalhas que assaltaram-no, vocês sabem quem são. Não sejam hipócritas de tentar esconder o sol com a peneira ( como a Marilena Chaui), nem abandonem o barco, envergonhados (como o Frei Betto). A briga, agora, está dentro do PT. É ali o campo de batalha onde vocês devem desfraldar suas bandeiras e gritar suas palavras de ordem.

Mirem-se no exemplo de seus companheiros de Fortaleza que disseram não aos acordos espúrios da cúpula nacional e, com sua militância fiel e entusiasmada, elegeram aquela menina para prefeita da cidade.

Invadam a sede do partido, abram as portas, as janelas, as gavetas e deixem o sol entrar. Quebrem os vidros escuros dos carros blindados. Expulsem os vendilhões do templo. Enxotem aqueles que estão jogando na lama 25 anos dos seus sonhos, suas lutas e suas convicções que, podem ter sido equivocadas em alguns casos, ingênuas em outros, até mesmo exageradas e aborrecidas, mas, acima de tudo, eram honestas, eu tenho certeza. Resgatem o PT para a militância.

Meus amigos petistas, não me levem a mal. Não estou aqui dando conselhos, palpites e nem querendo me meter na vida dos outros. Estou, modestamente, fazendo um apelo - vejam a ironia do destino - contra a hegemonia de um só partido que se delinea no horizonte. Por favor, reajam!

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Wednesday, September 14, 2005

Profissão: político

Não adianta, meus amigos, vamos tirar o cavalo da chuva porque pelo andar da carruagem nada vai mudar. Quem poderia melhorar a situação política do Brasil seriam os próprios políticos. Mas eles só estão preocupados em manter seu empregos. Sim, a palavra é essa mesmo, emprego, pois ser político, hoje-em-dia, virou profissão.

Quando fulano ganha uma eleição, passa o tempo todo trabalhando apenas  para manter-se no cargo, para reeleger-se. Emprega parentes e correligionários em seu gabinete com a  única função de trabalhar pela sua manutenção no poder. Esses são os melhores, os mais éticos.

Com os demais, a situação é mais grave. Uns, além do seu salário e das mordomias, enriquecem recebendo também propina de empresas, grupos econômicos ou do próprio governo, como o mensalão. 

E há ainda aqueles que não recebem propinas, mas pegam parte do salário de seus funcionários de volta. São os mais mesquinhos.

Todo esse dinheiro não é para engordar sua conta bancária, garantem. O dinheiro é para suas campanhas. A história recente, porém, já provou que as chamadas “sobras de campanha” acabam, mesmo, é se transformando em meio de vida. Aliás, muitos candidatos não precisam nem se eleger. O dinheiro que arrecadam nas campanhas eleitorais já é suficiente para fazer um bom pé-de-meia.

Os mais famosos chegam a colocar o filho como sócio da produtora de TV que faz a campanha eleitoral, o genro como sócio da agência que promove os showmícios, o sobrinho como sócio da gráfica que imprime os cartazes, e assim por diante. ´

É assim que as coisas funcionam e são essas mesmas pessoas que, obviamente, não vão mudar nada que não beneficie, em primeiro lugar, eles próprios. Traduzindo em miúdos, são adeptos daquele antigo ditado: “Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é bobo ou não entende da arte”.

Analfabetos políticos

É bom salientar que precisamos acabar com esse tipo de político, não com a política, que é fundamental para nossa convivência em sociedade. Vale lembrar o que escreveu um dia o teatrólogo Bertold Brecht, mostrando, inclusive, que o político profissional - e corrupto - não é exclusividade dos brasileiros:

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio depende das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que que se orgulha e estufa o peito, dizendo que odeia política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e opior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais“.

Desilusões

A propósito do tema deste blog na semana passada, vale a pena reproduzir aqui, para quem não leu, um poeminha do Mário Quintana, mandado pela minha amiga Silvia Felli:

“Meu saco de ilusões, bem cheio tive. Com ele, ia subindo a ladeira da vida e, no entretanto, após cada ilusão perdida…que extraordinária sensação de alívio”.

 

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Wednesday, September 7, 2005

Desilusões


Uma amiga confessou outro dia que seu desencanto com o PT havia até virado tema de suas sessões de terapia. Isso ocorreu com muita gente, pois as desilusões políticas, a exemplo das amorosas, também afetam bastante a parte traída, mesmo que o traidor, ainda que pego com batom ou dólares na cueca, negue sua culpa até a morte
.

Eu já tive muitas desilusões políticas. A primeira foi com a Libelu, uma tendência estudantil dos anos 70, da qual eu era simpatizante, influenciado por umas militantes que trabalhavam comigo e defendiam o trotskismo, o rock ‘n’ roll e, o que era melhor, o sexo livre.

Nesse caso, a decepção veio logo. Na greve dos jornalistas de 1979, minha amiga mais íntima e mais combativa da Libelu faltou ao nosso encontro para o primeiro piquete na frente do Estadão. Fiquei preocupado, pois algo grave deveria ter ocorrido, afinal era o momento histórico mais importante de nossas vidas. “Chegou visita em casa”, justificou ela, depois, para meu espanto.

Mais tarde, desapontei-me também com os demais integrantes dessa corrente política que, ao tornarem-se chefes nas redações, passaram a se comportar como os antigos representantes do Partidão (PCB), cujas práticas aparelhistas e o comportamento patronal sempre condenaram.

Com o passar dos anos, as desilusões foram se repetindo, numa “sucessiva sucessão de insucessos”. Como a derrota das diretas-já, por exemplo. Não quis acreditar quando vi que parte do próprio PMDB, na calada da noite, havia tramado contra sua aprovação no Congresso, para garantir a eleição de Tancredo Neves.

Pouco tempo depois a decepção foi com o PT que, apesar de defender o parlamentarismo, votou contra no plebiscito porque o Lula estava em primeiro lugar nas pesquisas para presidente. Mostrou-se um partido tão casuísta quanto os demais, principalmente os de direita. Senti muito, pois até então eu só associava a palavra casuísmo à ditadura.

Em seguida, foi a vez dos meus ídolos da MPB, Gil, Caetano, Chico e Gal, que superfaturaram os cachês naquele reveillon de 2000, no Rio de Janeiro. Santa inocência! Até essa data, eu achava que eram só os empreiteiros que superfaturavam suas obras quando o cliente era o governo.

Por fim, foram os franciscanos da Vila Clementino. Os frades seguidores daquele que virou santo exatamente pelo voto de pobreza venderam, literalmente, para uma incorporadora, sua casa paroquial, que fazia um belo conjunto arquitetônico com a Igreja de São Francisco de Assis, na rua Borges Lagoa. A casa foi demolida para dar lugar a um prédio de flats de luxo.

Por essas e outras é que não devemos nos iludir com ninguém. Eu mesmo, na minha insignificância, já desiludi algumas pessoas na vida. Mas não vou discorrer sobre isso para não desiludir vocês também, leitores deste blog, pois como ensina o professor Delúbio, “transparência demais já é burrice“.

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Wednesday, August 31, 2005

Ela quer o impeachment


Ela não quer saber de contemporização. Quer o impeachment do presidente Lula, e pronto. Tentei por panos quentes, dizendo que isso não seria bom para ninguém, que esse processo leva no mínimo seis meses, não teria quem assumisse em seu lugar, que a economia vai bem, enfim, que o melhor, mesmo, é esperar até o ano que vem que o presidente cai de maduro, sem traumas e sem rupturas.

 

De nada adiantaram meus argumentos. Ela não se conforma. Votou e convenceu sua família inteira a votar no Lula. Inclusive seu irmão que trabalha no mercado de capitais e estava relutante, com medo do que o PT poderia fazer com o capital volátil quando chegasse ao poder.

 

Ela não tinha motivos para temer nada. É uma trabalhadora no sentido fiel da palavra. Pela manhã, dá aula em duas faculdades. À tarde, trabalha em um laboratório e, de vez em quando, ainda faz uns frilas para complementar as despesas da casa e dos dois filhos adolescentes que sustenta sozinha. É aluguel, convênio médico, roupa, condução, dentista, médico e escola, tudo isso custa os olhos da cara.

 

Por ter mais de um emprego, paga mais imposto de renda. Além do que já é descontado na folha de pagamento, ainda precisa pagar mensalmente mais um pouco. É o seu mensalão, brinca. Deixa pelo menos um terço do que ganha para o governo gastar sabe-se lá em quê. “Adivinha…”provoca.

 

Ela faz parte do que se pode chamar de maioria silenciosa. Não é militante de partido algum, não pertence a nenhuma corrente sindical e, na época da faculdade, já implicava com os “estudantes profissionais” da USP. Tem consciência política e social, e vota naquele que considera o melhor, seja deste ou daquele partido.

 

Votou no Lula principalmente por causa da promessa de ética na política. Aos poucos, foi se desiludindo e sentiu-se até na obrigação de se desculpar com sua família, por ter insistido em que acompanhassem seu voto. Ficou surpresa quando seu irmão disse que não precisava se desculpar, não, pois ele estava contente com o governo do PT. Algo estava mesmo dando errado, pensou.

 

Hoje, quer o impeachment. Acha que o governo do PT, ao não cumprir suas promessas de campanha, agiu igual à ditadura, dando uma banana para a opinião pública. Ela é peremptória. Quer o impeachment, pois acha que não é mais o brasileiro que precisa aprender a votar. São os políticos que têm de aprender a lição: “Eles têm de saber que os elegemos, mas, se roubarem, nós os cassamos”.

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Wednesday, August 24, 2005

A gripe e a escravidão

Apesar das doses diárias de vitamina C, não escapei desse novo vírus da gripe que o ar poluído e seco da cidade ajuda a proliferar. Começou no domingo à noite. Primeiro, um ardor no nariz, depois na garganta, até chegar ao peito. Senti o vírus se multiplicar e ir invadindo minhas vias respiratórias progressivamente como se fosse um ataque de um exército alienígena dos filmes baratos de ficção.

Graças a Deus, a estabilidade no emprego de quem está às vésperas da aposentadoria me permite ficar em casa de repouso e tomando muito líquido -  única receita realmente eficaz contra os males da gripe. Nesse repouso, refleti um pouco sobre o regime escravagista do capitalismo selvagem, cujo nome “tucanaram” para neoliberalismo.

Quantas vezes em outras épocas fui obrigado a ir trabalhar e ficar até o final do expediente com o nariz escorrendo, garganta ardendo, dor de cabeça, febre, o corpo pedindo cama. E contaminando meus colegas de trabalho. Aliás, não sei por que os gripados não são obrigados a sair às ruas com uma máscara hospitalar, como acontece no Japão. Nunca fui ao Japão e tampouco li alguma notícia nesse sentido. Mas dizem que é assim.

A verdade é que a palavra de ordem por estas bandas sempre foi a de que uma gripe não é motivo para faltar ao trabalho. Uma pneumonia, talvez, sensibiliza e até preocupa os chefes. Mas uma gripe, não, não é motivo para ficar em casa. Quem tiver medo de perder o emprego ou sonhos carreiristas pode ir tirando o cavalinho da chuva. Às vezes, não é nem mesmo o chefe que nos obriga a ir trabalhar doente. É o feitor que existe dentro de nós, como alertava Reich. “Você é seu próprio feitor, Zé-Ninguém”, dizia ele. ( foi esse meu feitor, diga-se, que me fez escrever hoje estas mal-traçadas, mesmo sem disposição) 

O fato é que já vi muita gente ir trabalhar sofrendo, no sacrifício. Uma vez, em um restaurante por quilo, uma menina, jovem ainda, quase desmaiou na minha mesa.  Uma senhora ao lado era médica, puxou assunto e a menina contou que estava com a pressão baixa. E por que não ia para casa? Porque estava no segundo mês de experiência em uma agência de propaganda ali ao lado e, obviamente, isso poderia colocar em risco sua contratação. Fazer o quê? Não importava sua eficiência, e sim sua disponibilidade para a servidão.

Quem me conhece sabe que não posso bater no peito e bradar aos quatro cantos que meu nome é trabalho. Mas trabalhei duro na vida, principalmente  naquilo que gostava. O que sempre me deprimiu, porém, foi essa desumanidade da exploração capitalista. Trabalhar é bom, o que me revolta é precisar ir trabalhar mesmo doente.

Arraes

Na campanha das diretas tive o privilégio de viajar num jatinho ao lado de dois ícones históricos da resistência democrática: Ulisses Guimarães e Miguel Arraes, que morreu esta semana. Só não tive o privilégio de entender o que o ex-governador de Pernambuco dizia. Nem eu nem o Dr. Ulisses. Miguel Arraes falava “para dentro”. Além do sotaque pernambucano, falava baixo, engolindo as palavras. Em determinado momento, Ulisses Guimaraes não aguentou e com sua discreta ironia comentou: “Ontem conversei com o Castelinho (Carlos Castello Branco, cronista politico falecido), mas a conversa foi um pouco difícil, pois ele fala para dentro. É difícil entendê-lo”. Arraes ouviu aquilo, balançou a cabeça, concordando, e continuou falando enrolado.

Eleitora petista

Ulisses Guimarães tinha uma fina ironia. Nessa mesma viagem, no aeroporto de Guararapes, em Pernambuco, viu uma moça bem “bicho-grilo” e não resistiu: cutucou o Lula, que estava a seu lado, e comentou: “Olha ali uma eleitora do PT”.

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Wednesday, August 10, 2005

Onda de assaltos

Ladrões assaltaram o Banco Central, em Fortaleza, e levaram R$ 156 milhões. Segundo os jornais, é o maior assalto a banco da história do Brasil. E o segundo maior do mundo.

Se o grupo que assaltou o banco conseguir ficar calado, não gastar o dinheiro, enfim, não “dar bandeira” durante um bom tempo, a polícia não conseguirá prendê-los. Mas isso é muito difícil. Ninguém aguenta ficar com tanto dinheiro assim guardado sem gastar, e nem deixar de contar sua proeza a outra pessoa.O “bom ladrão” Ronald Bigs contava que a Scotland Yard só chegou aos autores do lendário “Assalto do Trem Pagador”, na Inglaterra, porque alguns de seus comparsas não resistiram e começaram a torrar a grana antes do prazo combinado. 

Por mim, o bando que roubou o dinheiro do banco, sem incomodarr ninguém, diga-se, pode ficar com o butim que, embora seja uma fortuna, ainda é menor do que o roubado pela quadrilha do mensalão. Mesmo porque, o dinheiro do banco o seguro cobre, enquanto o do mensalão jamais será ressarcido para nós outros, povo brasileiro que paga imposto. Além do mais, como ponderava o teatrólogo Bertold Brecht, o que é um assalto a banco, diante da fundação de um banco?

Pontos em comum  

O atual presidente discursa contra as indefinidas “elites” ; não dá entrevistas à imprensa; anunciou a construção da faraônica “Transnordestina”; e tentou implantar a usina nuclear Angra 3.

Nos meus 52 anos nem tão bem e nem tão mal vividos, já vi presidente discursar contra os indefinidos ”comunistas”; não dar entrevistas à imprensa; construir a faraônica “Transamazônica”; e tentar implantar a usina nuclear Angra 3.

O cabrito e a horta

Francamente. Deixar os próprios políticos fazerem a reforma política é a mesma coisa que deixar o cabrito tomando conta da horta.

Etimologia

“Se bico vem de bica/ E grota vem de gruta

Como a palavra indica/Deputado vem de puta”

(Quadrinha popular nordestina, citada por Juca Chaves no “Programa do Jô”)

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Wednesday, August 3, 2005

Histórias reais

“Um operário, desses típicos personagens em poemas de poetas de esquerda, teve a coragem e ousadia de levantar sua voz, reorganizar novamente entidades de classe e desafiar a ditadura. Seu nome corria  de boca em boca de norte a sul do país. Logo o  movimento cresceu, e a ele juntou-se gente de todos os lados. Vieram as primeiras greves, passeatas e protestos,enfim, como sempre acontece no crepúsculo de todas as ditaduras.

O operário, festejado herói da classe operária e do  povo em geral, virava um símbolo da luta e sua fama ia além das fronteiras. Chegava a hora de - por que não? - finalmente assumir o poder. Democraticamente, pelo voto, pelo sim ou  pelo não, o poder é muito mais que viver somente na oposição. Foi eleito com o apoio de milhões. O delírio quase geral que tomava conta da  nação enchia de esperança mesmo o mais dos pessimistas, ecoando além-mar.

Foi aí que começou o declínio. Escândalos, decisões equivocadas, política rabo de cabra, desavenças com o próprio partido, populismo  e conivência com o que condenava, foram apagando a luz que emanava da estrela decantada. A experiência fracassaria de  forma tão contundente como havia começado. O poder não corrompe necessariamente, mas com certeza embriaga mais do que se pensa”.

Não, meus poucos mas bons leitores. Esse texto, publicado em maio do ano passado no site ABK Net, não fala do Lula, não. Fala de Lech Walesa, operário que chegou a presidente da Polônia em 1985 e hoje vive praticamente no ostracismo. 

O mesmo Zé

Esse Zé que depôs ontem na Comissão de Ética da Câmara eu conheço de quando ele era deputado estadual e eu cobria política para a “Folha”. Duas atitudes suas naquela época me deixaram um pouco assustado. A primeira, quando o petista Airton Soares passou para o lado de Tancredo Neves. Zé Dirceu, que já era dirigente do PT, comentou comigo: “Deixa ele, vamos por um candidato na sombra dele e ele nunca mais vai se reeleger”. Dito e feito. A outra foi quando pedi, por telefone, algumas informações em “off” sobre uma antiga organização clandestina que participara da luta armada. Do outro lado da linha ele ficou nervoso, de repente, e me advertiu que se eu publicasse alguma coisa ligando seu nome a essa organização eu “ia ver”. Acabamos batendo boca e desligando o telefone em seguida. O que eu “ia ver” eu não sei, pois ele não me deu as informações para publicar. Mas me lembrei disso estes dias, e fiquei cá especulando com meus botões: acho que foi numa dessas que o deputado Roberto Jefferson resolveu pagar para ver. E deu no que deu.

A mala, a mala!

Agora eu entendi porque o deputado Waldemar da Costa Neto, do PL, e sua então mulher, Cristina Mendes Caldeira, nem esperaram socorro quando o jatinho em que estavam se acidentou no aeroporto de Congonhas, há uns dois anos. Antes que chegassem os bombeiros, os dois desceram do avião, escorregaram pela grama que tem ao lado da pista, saíram por um portão de serviço e pegaram um táxi. Era a mala que ele carregava. Ninguém poderia pegá-lo com a mala. Igual a  uma conhecida minha que tinha o  hábito de ir ao motel com o marido com uma maleta cheia de acessórios sexuais. Um dia, tiveram um acidente de trânsito e ficaram levemente feridos. Quando estavam sendo socorridos, ela, deitada na maca, gritava para o marido: “A mala, a mala, não esquece de pegar a mala!” 

Ora, a lei

“Aos inimigos, tudo; aos amigos, a lei”. (De um petista amigo meu, invertendo o lema atribuído a Getúlio Vargas, para demonstrar o clima que está se vivendo hoje no PT)

 

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Wednesday, July 27, 2005

Salve-se quem puder!

Escuta, Zé Ninguém: desta vez você está em cima do cavalo, com a corda no pescoço, e o bandido, com o revólver na mão, vai dar um tiro para o alto; você está esperando o mocinho que sempre chega nessa hora para te salvar.

Na época da ditadura, havia muitos mocinhos a seu lado, todos contra o regime militar.  Eram do PT, do PMDB, do PTB, do PDT e até mesmo de partidos do governo, como o PFL. Todos eles te salvaram das garras da ditadura e, com você, em praça pública, resgataram as eleições diretas e a democracia.

Veio o Governo Sarney e você se decepcionou com o PMDB. Mas tirante a desilusão com os peemedebistas, havia muitos outros políticos e partidos nos quais você podia acreditar.  

Quando Collor exagerou na corrupção e na soberba, eles ainda eram muitos e, com a mão no peito, ao som do hino nacional, salvaram a sua pátria. Novamente, os “homens de bem”, os partidos de esquerda aliados a setores da direita, foram os mocinhos que te livraram dos corruptos.

Na era FHC, quando se manteve a soberba e predominou o pensamento único de um neoliberalismo que não resolveu seu problema, eles já não eram muitos. Ainda assim, formavam um grupo significativo e barulhento que derrotou os tucanos e prometeu que, dessa vez, sim, governariam para você.

E agora? Você está de novo sobre o cavalo, com a corda no pescoço, o bandido com a arma na mão vai disparar… e o cavalo vai sair correndo. Ninguém virá salvá-lo. Não há mais mocinhos nesse filme, Zé Ninguém. 

Ridículos tiranos

Baseado nas pesquisas de opinião pública, Lula está fingindo que não tem mais nada a ver com o PT e direcionando seus discursos para as classes C e D. Assume a postura de “pai dos pobres”, acima de qualquer partido, já tão usada e desgastada na América Latina de Perón, Getúlio, Jânio e tantos outros. Parafraseando Caetano Veloso, me pergunto: será que nunca faremos senão confirmar a incompetência da América católica que sempre precisará de ridículos populistas?

Não contavam com a sua astúcia

“O Lula querendo imitar o Chávez? Só se for o da televisão!”

(Fátima Pedrozo, professora universitária).

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Wednesday, July 20, 2005

Presidente de proveta?

Um comentário feito neste blog, semana passada, pelo meu amigo João Teixeira, me fez refletir sobre duas perguntas que não querem calar na cabeça de algumas pessoas: Lula foi mesmo criado em um gabinete da ditadura militar, em Brasília? O vírus da Aids foi produzido em um laboratório da CIA?

Sobre a gênese do presidente Lula, voltemos um pouco no tempo. Os anos eram os 70, quando os Estados Unidos e as “Sete Irmãs” (as maiores empresas do mundo) decidiram que estava na hora de acabar com as ditaduras latinoamericanas. No Brasil, iniciava-se a distensão lenta e gradual  do general Geisel, concretizada depois pelo general Figueiredo.

Veio e redemocratização e os partidos políticos voltaram todos à legalidade. Recalcados por décadas de ditadura de direita, era natural que os trabalhadores brasileiros fossem seduzidos pelas palavras de ordem dos até então únicos representantes da classe operária: os partidos comunistas. Esse era um risco que os EUA e a direita brasileira, tutelada pelos militares, não queriam correr.

Era preciso, então, criar uma alternativa eleitoral aos comunistas. Um partido que defendesse os trabalhadores, que tivesse um líder carismático, de “esquerda” mas capitalista e católico, a exemplo do que foi feito na Polônia, com Lech Walesa.  O nosso líder foi “descoberto” no centro sindical mais organizado do Brasil,  o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. Ali, o metalúrgico-prodígio Luís Inácio da Silva foi adotado, orientado, educado e treinado pelo “sistema” ( forças que dominavam o País), em conjunto com a Igreja católica.

O esquema, assim como na Polônia, deu certo. Os partidos comunistas praticamente não cresceram no Brasil graças ao PT. E ao chegar ao poder, Lula comprovou ser tão capitalista quanto qualquer um dos seus antecessores - incluindo-se aí os generais da ditadura militar.

Com o HIV é preciso, também, voltar no tempo e observar o que estava ocorrendo com a sociedade ocidental nos Anos 80, que havia acabado de passar por uma revolução sexual. Nos círculos mais moderninhos, de vanguarda, o bissexualismo estava quase começando a ser uma regra, ou seja, quem não fosse “bi” estava por fora, era “careta”. O psicanalista carioca Eduardo Mascarenhas, famoso naqueles tempos, chegou a profetizar que no ano 2000 todo mundo seria bissexual.

Essa tendência mostrava-se irreversível e colocava muita coisa em risco, principalmente a família e , consequentemente, o poder do Estado ( a família é a base do Estado). Para os Estados Unidos, então, seria pior, pois não apenas os seus valores cristãos e capitalistas estariam em risco, como também seu poderio militar. Bissexuais não eram aceitos no Exército; bissexuais não iam à guerra. Daí para se produzir em laboratório um vírus que revertesse mundialmente esse processo foi questão de meses.

Há gente que acredita tanto na história do Lula quanto na da Aids, sem poder, entretanto, comprová-las. Mas a recíproca também é verdadeira.

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Thursday, July 14, 2005

O eleitor-sênior

Há gente que faz e gente que só dá palpite. Eu me incluo entre estes últimos. Não sei se sou assim por pura preguiça ou porque, segundo a homeopatia, me encaixo no tipo dos “natrum-sulphur”, ou seja, aqueles sujeitos que ficam sentados embaixo da árvore a tarde inteira, pensando nas soluções para os problemas da humanidade. Quando têm uma “idéia luminosa”, a defendem veementemente junto a seus amigos e, depois, vão dormir tranquilos, com a sensação do dever cumprido.Esse pessoal era chamado antigamente de “revolucionários de mesa de bar”. Consertavam o mundo à noite, entre um copo e outro de cerveja, e tinham muito sono de manhã. Foi por isso, aliás, que nessa época o Kaiser Góes, um sobrinho de um amigo meu, apelidou apropriadamente nossa turma de “comunistas-depois-do-meio-dia”.

Atualmente, porém, os compromissos do dia seguinte, os quilômetros rodados do fígado e uma boa TV de 29 polegadas impedem cinquentões como eu de frequentar botequins. Felizmente, apareceu a internet para difundir nossas idéias e, assim, salvarmos o mundo.Desta forma, diante da atual crise política do Brasil, vou cumprir a minha parte e dar minha imodesta contribuição para evitar que no futuro elejamos vereadores, deputados e senadores com o único objetivo de enriquecer ilicitamente às nossas custas. Há algum tempo, já expus essa tese para alguns amigos, parentes e agregados. Acho que vale a pena defendê-la novamente neste blog.

Trata-se da criação do “eleitor-sênior”. Funciona assim: na eleição, votamos em nosso candidato para a Câmara Municipal, Assembléia Legislativa ou Congresso Nacional. Para que ele, por sua vez, seja fiscalizado e vote de acordo com nossa vontade, nós, os seus eleitores, registramos a nossa posição na sua (lá dele) página na internet. Simples, não? Todo parlamentar deve uma página na internet e, nela, um espaço para seus “eleitores-seniores” declararem seus votos .

Para ser um “eleitor-sênior”, nos inscrevemos na Justiça Eleitoral e obtemos uma senha cadastrada pelo TRE. Com ela, podemos entrar no site do nosso representante e definir o seu voto. Cada parlamentar deve ter um mínimo de 100, 200, 500 “eleitores-seniores”, e só pode votar em plenário de acordo com o desejo da maioria, sob pena de perder o mandato. Acho que ao lado da  fidelidade partidária e do voto distrital, por exemplo, esse seria mais um dispositivo para a reconstrução um regime representativo mais sólido, pois o atual, depois do pronunciamento de ontem do deputado Roberto Jefferson, até o cidadão comum já percebeu que está caindo de podre.

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